Os preconceitos e paradigmas que rondam a comunidade LGBT são muitos, e ser parte dessa comunidade é estar envolto nesse estereótipo 24 horas por dia, todos os dias de sua vida, involuntariamente, e nesta realidade nos são dadas duas opções: ser resistência ou material para os conservadores destilarem ódio e preconceito.
As IST, em especial a AIDS, como “doenças homossexuais” é um estereótipo muito antigo e enraizado, fundamentado historicamente, não só no Brasil, mas em todo o mundo, onde poucos anos atrás ainda se acreditava ser uma doença exclusivamente gay, mas parece que a comunidade LGBT como um todo não está interessada em discutir, e mais importante, lutar contra esse preconceito.
“A AIDS é o câncer gay”, essa frase vem da boca do Pastor Marco Feliciano, um deputado federal, muito bem votado, com vasta influência na política brasileira, membro da tão famosa bancada evangélica, imagine agora o impacto que frases como essas, destiladas em igrejas, lares e instituições públicas e privadas de maneira geral, ditas por pastores, pais, mães, deputados, e atualmente, até pelo presidente eleito, tem sob a visão publica para com a comunidade LGBT.
Porque esse preconceito existe? Os conservadores podem usar os números para fundamenta-lo, de acordo com a unaids.org, pagina que reúne informações e estáticas sob a AIDS, mostra que o risco de contaminação é:
♠ 27 vezes maior entre homens que fazem sexo com homens;
♠ 23 vezes maior entre pessoas que usam drogas injetáveis;
♠ 13 vezes maior entre profissionais do sexo;
♠ 13 vezes maior entre mulheres trans.
Nós somos mais vulneráveis e expostos a essa doença, e devemos falar sobre isso, previna-se, pois prevenir-se é uma forma de luta, o sexo seguro é fundamental, a camisinha é o único método que previne ISTs, o desejo não deve ser maior que a razão, 15 minutos não valem sua vida! Precisamos mudar essa realidade e a forma pejorativa que a população heteronormativa nos enxerga, esses dados são armas para os homofóbicos, que os isenta de culpa, unificando-os, e torna a comunidade LGBT um inimigo comum.
Enquanto isso, estaremos nos unidos ou não? Torna-se mais difícil a nossa luta se preconceitos como esse forem disseminados entre nós mesmos, portanto, para auxiliar no combate a esse preconceito, vamos separar algumas mentiras dos fatos:
A AIDS é uma doença transmitida pelo vírus do HIV através do sangue, de relações sexuais sem uso de preservativos, na gravidez, amamentação ou no parto. Não se pega Aids através da saliva ou do suor, ou seja, beijar, abraçar e ter contatos físicos do dia-a-dia não transmite a AIDS, a convivência com um soropositivo é completamente possível e natural, não há necessidade de separar itens pessoais, como toalhas, talheres, roupas e etc.
Lembre-se, ser soropositivo não é uma sentença de morte, os soropositivos podem trabalhar, ter filhos, relações estáveis, e tudo que qualquer pessoa possa fazer, portanto, deixe o preconceito de lado e não seja mais uma pedra no caminho de quem já sofre muito com essa doença, seja a mão amiga, se você é um LGBT sabe o quanto é difícil viver sendo vítima de rótulos e estereótipos, ainda mais, se pessoas próximas passam a lhe olhar torto pelo simples fato de você estar sendo você.
Lembre-se: nossa luta se torna mais difícil a cada dia, devemos deixar diferenças de lado, somos uma comunidade tão numerosa, diversa e ampla, porem enquanto brigarmos entre si mesmos nunca conquistaremos nada, 2019 será um ano difícil, onde deveremos manter vigilância constante, cabeça erguida, voz firme e mãos unidas.
Por: Vitor Dias



